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Descendentes de italianos se empenham para preservar construções antigas que mantêm viva a história da Região dos Imigrantes no Estado

Por Valbert Vago
Eles são presença marcante e imprimem um charme todo especial às paisagens dos municípios da região serrana do Estado. São os casarões que estão nas margens das estradas ou sobre os morros das serras capixabas.

Família Melotti na janela do casarão

Família Melotti na janela do casarão


De arquitetura singular, não se tratam apenas de prédios antigos, muitas vezes desabitados. São verdadeiras relíquias arquitetônicas, dotadas de histórias de um passado de sonhos e conquistas e memórias de gente que aprendeu a reconstruir a vida em um novo e desafiador mundo.

Não há estimativa de quantos sobrados e casebres antigos ainda resistem de pé na região. A maioria, na verdade, nem nota quando desaparecem de um dia para o outro. É certo, porém, que a maioria dentre as poucas centenas remanescentes ainda existe por causa do apego de seus proprietários para com os mesmos, considerados para estes uma espécie de relíquia familiar, testemunha da própria história.

Em São Roque do Canaã, de 2001 a 2004 a prefeitura realizou um levantamento de todas as construções com expressivo valor histórico. Foram fotografadas cerca de 130 casas, construídas entre 1880 e 1940. Também foram entrevistados descendentes dos construtores, para sensibilizar os proprietários das casas que cediam aos apelos especuladores, que compravam as construções antigas para revender a madeira ou até mesmo reconstruí-las em outros estados.
“O casario típico do imigrante, que ainda estampa e embeleza as serras e vales do interior capixaba, são verdadeiros museus, carregados de histórias que precisam ser preservadas, sob risco de se perder por completo a identidade cultural de um povo, diante dos apelos de uma modernidade desprovida de sentimentos de pertença, uma marca da geração contemporânea”, afirma o historiador Luis Fernando Achiamé, membro do Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo.
Não são poucos os casos de construções de alto valor histórico sendo utilizadas pelos proprietários sem a percepção do real valor.

Utilizadas como paióis, garagens, depósitos de insumos, muitas vão se deteriorando. Outras, habitadas por meeiros ou por proprietários, vão suportando a pressão das intempéries. Algumas, porém, dado o apego sentimental e o cuidado dos proprietários sobrevivem ao tempo quase que com a mesma imponência.

São verdadeiros museus, carregados de histórias que precisam ser preservadas
Luis Fernando Achiamé, historiador

 

Histórias da família escrita à mão

Alexandre, Maria de Fátima e Severino Melotti com o documento redigido pelo avô Giácomo: história construída pelas mãos

Alexandre, Maria de Fátima e Severino Melotti com o documento redigido pelo avô Giácomo: história construída pelas mãos

Perguntados sobre as histórias vividas e contadas pelos ancestrais, os Melotti se emocionam tempo todo. “A casa é um museu de histórias continuamente vivas em nossas memórias”, afirma Severino Melotti, o mais velho dos irmãos.

Alexandre, um dos irmãos, faz questão de mostrar um documento muito bem preservado, no qual o patriarca Giacommo Melotti registrava, de próprio punho, os acontecimentos marcantes na história da família, tais como datas de casamentos, nascimentos e falecimentos dos filhos. “Era um homem muito inteligente, à frente de seu tempo. Imagino que tinha alguma instrução, por que era bom comerciante e um grande líder na região”, disse Alexandre.

Herdeiros mantêm museu particular

Em São Roque do Canaã, no distrito de Santa Julia, o Sítio Felício Melotti é uma espécie de museu particular da família, descendente dos pioneiros do local.

Bem cuidado e imponente, está o casarão que abrigou a família e o comércio de secos e molhados, desde sua construção em 1909. No sobrado, além da mobília de época e fotos de todas as gerações, há um cômodo que os proprietários destinaram a guardar os instrumentos, ferramentas e utensílios usados pela família, ao longo de mais de um século.

Os Melotti no pequeno museu que homenageia os patriarcas

Os Melotti no pequeno museu que homenageia os patriarcas

Construído pelos pioneiros Giaccomo Melotti e Zelinda Guaitolini Melotti, em 1909, ainda mantém as características e elementos originais.
Mas preservar uma construção de mais de um século não é tarefa fácil. O museu particular dos Melotti só está em tão boas condições porque é mantido pelos netos herdeiros. Eles também conservam mais duas casas ainda mais antigas, sendo uma o primeiro casebre construído pelos patriarcas quando se instalaram na região, por volta de 1900.

“Quando meus avôs faleceram, as terras e o casario da sede da fazenda ficaram para meu pai. Quando este faleceu, as terras foram divididas entre os filhos. Já a sede, decidiu-se que seria uma sociedade entre todos.

Uma forma de podermos, juntos, ter condições de conservar”, justifica Maria de Fátima Melotti, sócia e responsável pela administração do sítio.

Capela conserva coreto e altar

A primeira máquina de pilar café do Estado, conta-se, operava no Sítio São Pedro. Até a capela do sítio é fruto da visão empreendedora e da riqueza do pioneiro Silvestro Fritolli. Nos anos 1930, uma enchente destruiu o cemitério dos pioneiros da comunidade.

Fritolli doou o terreno para a construção do novo cemitério, porém, não admitia que no mesmo não tivesse uma capela. Então, mandou trazer de sua antiga região de origem na Itália, uma cópia da planta da capela local, a qual reproduziu na construção local.

Segundo uma bisneta de Fritolli, a capela do sítio é a única entre as 27 da paróquia que ainda conserva o coreto no pátio, além do altar e os demais elementos da época. Alguns membros da liderança religiosa local já haviam se mobilizado para derrubar o coreto, quando foram impedidos.

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Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 8 e 9 do Jornal Santa Notícia.

Fiéis estão resgatando a história da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, que completa 64 anos de
inauguração, no ano do centenário da paróquia

Igreja Itarana, 1951

Foto antiga mostra imponência da igreja,
que começou a ser construída em 1920

Quem chega a Itarana, na Região dos Imigrantes, logo vê a Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora. Construída no alto, em um lugar que pode ser avistado praticamente de toda a cidade, a igreja está completando 64 anos de inauguração e consagração, no ano em que a paróquia também comemora seu centenário.

Com uma arquitetura que chama a atenção, a construção da igreja é cercada de histórias. Para se ter uma ideia, o prédio levou três décadas para ser erguido, desde o início da obra, em 1920, considerada um projeto ousado para a época.

“O dinheiro acabava, foram feitos leilões para angariar mais, o padre rodava as propriedades pedindo ajuda. Foi muita ousadia, fizeram uma igreja grande, toda trabalhada, e até hoje ela se destaca. Conta-se que, na época, a ideia era construir uma basílica”, contou a aposentada Maria Auxiliadora Maso Casagrande, a Dora.

A pedido do padre Neil Joaquim de Almeida e com o auxílio da sobrinha, Nilza Maria Covre Bergamaschi, Dora realizou pesquisas para resgatar a história da igreja. A ideia é transformar as informações em uma publicação. Após pesquisas em documentos antigos e ouvindo relatos de fiéis que viveram naquela época, ela reuniu várias curiosidades sobre a construção da Matriz.

A Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora foi instalada em 24 de julho de 1915, na então vila de Figueira de Santa Joana, que pertencia a Afonso Cláudio. Havia uma igreja, mas, em 17 de abril de 1919, iniciou-se uma sociedade para angariar fundos para a construção da nova Matriz. Cada um pagava mil réis por mês para a obra, que teve início em 17 de novembro de 1920.
No dia 1° de outubro de 1933, a obra da Igreja Matriz estava parada havia dois anos. Cerca de um ano depois, em 3 de setembro de 1934, as paredes da velha Matriz caíram. Nessa época, as missas da paróquia eram realizadas na capela de São Sebastião, devido aos problemas de estrutura da igreja.

Mas, segundo relatos, a capela era pequena e mal cabiam as crianças. Os homens e as mulheres ficavam do lado de fora, expostos ao sol e à chuva. Então, o bispo nomeou nova comissão, com supervisão do vigário Paulo de Tarso, para o término da obra.
Segundo documentos históricos levantados por Dora Maso, ele sempre dizia que seria erguido no local um templo magnífico, “sem dúvida, o maior e o mais belo de todo o Estado do Espírito Santo”.
A partir de 1939, foram feitos leilões para ajudar na obra. “Padre Henrique Zamperetti muito contribuiu para a construção dessa igreja, indo visitar as famílias a cavalo, pedindo doações, sacas de café para o término da obra”, contou Dora.

 

Projeto com luxo e  riqueza de detalhes

Com uma arquitetura no estilo eclético, a Igreja Matriz de Itarana chama a atenção pelos detalhes. O altar é feito em mármore Carrara, que veio da Itália, e tem adornos no estilo rococó, assim como as colunas, que lembram as de construções romanas.

O projetista Vitorio Stringari – que era técnico, professor de Artes e trabalhava na Escola Técnica do Espírito Santo e trabalhou também na construção da Igreja de São Sebastião, Praça Oito e Santo Antônio de Sossego – passava as férias, entre dezembro e fevereiro, na região, e ajudou na obra. Foi ele quem moldou em gesso as peças estilo rococó que adornam o templo.
As formas que ele preparou para moldar as peças ficaram por anos guardadas sob a escada da casa canônica. Elas foram encontradas somente em 2009.

Os anjos que seguram o candelabro de Nossa Senhora Auxiliadora foram feitos pelo professor Américo, da então Escola Técnica Federal do Espírito Santo. Ele os moldou tendo Olivia Cei de Araújo como modelo.

O quadro para colocar a planta da matriz foi feito por Pedro Sepulcri e a planta foi trazida pelo padre Frederico. A construção da arte dos arcos, colunas e outras partes da construção foram feitas por Quintino dos Santos, que fazia as peças nos moldes e depois adornava os arcos e colunas dentro e fora da igreja, no altar.

O piso da Igreja Matriz é conhecido como ladrilho hidráulico e é um tipo de revestimento artesanal feito à base de cimento, usado em pisos e paredes, que teve seu apogeu entre o fim do século XIX e meados do século XX.

Primeira a ser consagrada no Estado

A inauguração da Igreja Matriz Nossa Senhora Auxiliadora, em 15 de julho de 1951, em Itarana, foi um grande evento. O templo foi o primeiro a ser consagrado no Estado antes mesmo do Convento da Penha.

A sagração foi feita pelo bispo dom Luiz Scortegagna. Na época, o padre Henrique Zamperetti, que chegou em outubro de 1946, não mediu esforços com objetivo de angariar fundos para a conclusão da obra. A celebração foi acompanhada por pessoas de outros municípios, incluindo autoridades. A notícia sobre a festa foi publicada em jornais do Estado, como A Tribuna, e até da Itália, e chegou a ser filmada.

As ruas ficaram lotadas, pois na consagração os fiéis ficaram do lado de fora, enquanto os padres e bispos faziam a consagração e as autoridades acompanhavam. Segundo relatos, a solenidade durou cerca de seis horas.
Quem estava lá era a aposentada Alba Venturini, 89 anos. Ela era corista e cantou durante a celebração. Ela lembra que o grupo era formado por cerca de 15 pessoas, que acompanharam o evento. Em casa, guarda com carinho e cuidado recortes de jornal que relatam a consagração.

Em A Tribuna de 19 de julho de 1951, Osvaldo Zanello descreveu: “Oficiadas por Dom Luiz Scortegagna, com acompanhamento de cerca de dez sacerdotes, entre os quais se encontrava o ilustre diretor do Colégio Sacramentino Pio XI de Manhumirim, as solenidades duraram cerca de seis horas”.

A publicação descrevia a igreja: “Rendas e filigranas imortalizam um artista, cuja sintonia de cores reflete o bom gosto e o conhecimento do belo, cujo altar-mor, talhado de mármore Carrara, nos trouxe a contribuição dos artistas da lendária e amiga Itália, procuramos conhecer um pouco da história daquele templo que se consagrava com tanto esplendor e suntuosidade à Virgem Auxiliadora dos Aflitos”.

De acordo com o jornal, com divergências entre os políticos sobre emancipação, entraram num acordo em que Itaguaçu ficaria com a sede do município e Itarana com a sede da Paróquia.

Memórias bem guardadas

Aos 89 anos, Alba Venturini lembra bem da conquista que foi para Itarana a conclusão da obra da Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora. Ela era integrante do grupo de coristas e participou ativamente do evento de inauguração e consagração da igreja, em 1951.
“A construção da paróquia foi sempre muito difícil, tudo feito pela comunidade mesmo. Tinha muita festa para arrecadar dinheiro. O dia da consagração foi muito especial”, contou ela, que lembra o nome de cada um dos colegas de coro que participaram da missa.
Dona Alba guarda recortes antigos de jornal e um deles, de 1965, ressalta a comemoração dos 50 anos da paróquia. “Achei o jornal no lixo e guardei”, contou ela.

Em 1951, evento registrado em filme

A importância da construção da Igreja Matriz para Itarana foi tanta que a celebração para inauguração e consagração do templo foi registrada em filme, quando filmar um evento ainda era algo pouco comum e guardado apenas para ocasiões muito especiais.

Quem contratou a filmagem, em preto e branco e sem áudio, foi Elias Estevão Colnago. Um cinegrafista contratado foi de Vitória a Itarana para fazer o trabalho. Posteriormente, o filme foi dado a Florisval Vieira Malta, marido de Alba Venturini. Ela contou que ele tinha na época um cinema itinerante e recebeu as imagens em 16 milímetros.
As imagens, resgatadas recentemente e transformadas em DVD, mostram as ruas em torno da Matriz lotadas de fiéis e o bispo dom Luiz Scortegagna fazendo os ritos da consagração, com água benta.

Dona Alba Venturini, que era corista da igreja e cantou durante a celebração, lembra que a igreja estava vazia, sem os bancos. “Dentro dela estavam somente os padres, o bispo e as cantoras do coro, que eu fazia parte. O bispo ungiu as cruzes da parede, tudo foi ungido”, lembrou.

Confira o vídeo:

Curiosidades

O símbolo

Na fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora tem um pelicano. Na Europa medieval, considerava-se a ave um animal especialmente zeloso com seu filhote, ao ponto de, não havendo com que o alimentar, dar-lhe de seu próprio sangue. O pelicano tornou-se, então, um símbolo da Paixão de Cristo e da Eucaristia.

A imagem

A imagem de Nossa Senhora Auxiliadora é de madeira e foi esculpida na Escola Pavoniana de Escultura em Santo Antônio, em Vitória, a pedido do padre Henrique Zamperetti.
O escultor foi Tomaselli e o doador foi Salvador Fardin. A imagem mede 1,70m e tem o cetro solto com coroas fixas. Foi levada em procissão desde a Canônica até a Matriz.

O cruzeiro

O cruzeiro atrás da Igreja Matriz substituiu um mais antigo que ficava próximo à antiga igreja por estar corroído pelo tempo. Com mais de 50 anos, foi lavrado por João Alves e os detalhes foram feitos por Andréa Cei.
Luiz Galvagne, Wandir Follador e Herlio Sepulcri ajudaram a construí-lo.

Reforma em 1961

A primeira remodelação da Igreja Matriz começou em 14 de agosto de 1961. A torre estava cheia de cupim e o telhado dos vãos laterais precisava de conserto. Foi trocada a madeira da torre, que ganhou cimento e foi aumentada em 3 metros. O término das obras da Matriz aconteceu em 18 de agosto de 1962. Além de modificarem a torre, construíram um cômodo atrás da igreja para guardar madeira.

Matéria publicada na edição 14, mês agosto/2015, página 8 e 9 do Jornal Santa Notícia.

Por Isaac Beber Padilha, é advogado

Está valendo: os domésticos têm sua própria lei. É a Lei Complementar nº 150/2015, em vigor desde 01/06/2015.
Na coluna de Edição 9, tratamos de comentar questões que gravitam em torno do assunto, além de explicarmos que o mesmo não estava encerrado. Eis a razão: hoje, existe uma nova regra (LC 150/15) que reconhece os domésticos como categoria com normas e características próprias.

Dando maior serventia prática, seguem os 20 principais pontos da LC:
1) É proibido doméstico menor de 18 anos;

2) A LC não regulamenta diarista;

3) É obrigatório pagar o INSS de 8%;

4) A obrigatoriedade de pagar FGTS e tributos ocorrerá com a implantação do Simples Doméstico, em outubro de 2015;

5) O FGTS agora é obrigatório em 8% sobre o salário pago ao mês;

6) O patrão deve pagar na guia do INSS 0,8% sobre o salário para seguro de acidente de trabalho do empregado;

7) A jornada é de 8 horas diárias e 44 semanais;

8) Horas extras são devidas com acréscimo de 50% entre segunda e sábado e 100% aos domingos e feriados;

9) O doméstico pode dormir no trabalho, mas deve acertar previamente o horário de atividade, pois, caso solicitado fora da jornada, terá direito a hora extra;

10) O doméstico tem direito ao adicional noturno de 20% no trabalho das 22h às 5h;

11) O contrato de experiência não pode ser superior a 90 dias;

12) Pode-se considerar 8h48min para cada dia da semana (segunda a sexta) como horário normal de trabalho;

13) Após um ano, as horas extras não folgadas devem ser pagas;

14) A LC prevê limite diário de 2 horas extras, mas, se exceder, é só pagar corretamente que não há penalidade;

15) A Carteira de Trabalho será apresentada, por recibo, pelo empregado ao empregador, o qual terá até 48 horas para nela anotar e devolver;

16) É facultado, mediante acordo escrito, estabelecer horário de 12h por 36h de descanso;

17) É obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado por qualquer meio manual, mecânico ou eletrônico;

18) É obrigatório o intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, 1h e máximo de 2h, podendo, por acordo escrito, fazer sua redução para 30 minutos;

19) As férias poderão, a critério do empregador, ser fracionadas em até dois períodos, sendo um deles de, no mínimo, 14 dias corridos;

20) É proibido ao empregador descontar no salário do empregado o fornecimento de alimentação, vestuário, higiene ou moradia;

21) O empregador não pagará multa de 40% sobre o FGTS, mas recolherá mensalmente 3,2% do salário do empregado para, caso o demita, este possa levantar tal quantia. Caso o empregado peça conta, o montante volta para o empregador.

Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 13 do Jornal Santa Notícia.

Por Wilson Coêlho, é “Commandeur Exquis” do Colégio de Patafísica de Paris

Para se entender as dimensões da cultura, tanto na sua perspectiva simbólica quanto na cidadã e econômica, faz-se necessário termos a consciência de que todos os seres humanos, independentemente da época ou do lugar onde vivem, possuem valores, concretos ou abstratos. Esses valores se manifestam a partir das crenças, dos costumes e de todas as formas com as quais os grupos sociais se comunicam ou se relacionam.

Nesse sentido, convém afirmar que todo ser humano tem cultura, considerando que a mesma é inseparável da própria condição humana que é a de viver em sociedade.
Viver em sociedade é fazer acordos e dar sentido ao mundo em prol da harmonia, para garantir a sobrevivência de uma coletividade. Assim, o mundo ou os mundos que existem são criações de significados do ser humano no que diz respeito a si mesmo, nas relações com o outro e com a natureza.

Se temos um inegável legado histórico que a cada dia se renova por intermédio das inúmeras manifestações culturais, o mais sensato é buscamos formas de fomentar e dar visibilidade a toda essa riqueza, bem como possibilitar a identificação e o conhecimento das distintas identidades culturais como legítimas representatividades da nossa diversidade.

Para melhor nos situarmos sobre a cultura capixaba, devemos ter um olhar atento sobre a formação da sociedade do Estado do Espírito Santo. Foram vários povos da Europa, como portugueses, alemães, italianos, pomeranos, suíços, franceses e austríacos, que se juntaram aos africanos, asiáticos e aos povos indígenas originários para a composição dessa rica diversidade étnico-cultural abrangente e que, até hoje, consegue manter suas tradições.

Se temos um inegável legado histórico que a cada dia se renova por intermédio das inúmeras manifestações culturais, o mais sensato é buscamos formas de fomentar e dar visibilidade a toda essa riqueza, bem como possibilitar a identificação e o conhecimento das distintas identidades culturais como legítimas representatividades da nossa diversidade.

Para além do privilégio de sua beleza natural como as montanhas, os rios e as cachoeiras, a história e a cultura da Região dos Imigrantes permanecem cada dia mais vivas a partir de seus habitantes que preservam e alimentam suas tradições, tanto nas comidas e trajes quanto nos costumes que, em um só movimento, beneficiam aos turistas e aos moradores.

Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 4 do Jornal Santa Notícia.

Por Chico Zanoni, é professor
Já passava das 17 horas. Dona Alice dizia: Cisquinho (apelido de mãe, não me envergonhava por isso, não era superlativo ou apenas diminutivo. Era só a forma carinhosa de chamar o caçula), vá no seu Virgílio pegar o leite!
Lá ia eu. Leiteira na mão. Era pertinho. Às vezes, o líquido branco chegava pela manhã. Lá ia eu. Só eu. Não era castigo, era a minha obrigação do dia.

Seu Virgílio era um senhor agradável, um pouco sovina, só um pouquinho, mas era. Nessas horas já existia uma pequena fila. Aguardava um pouco. Éramos só jovens, amigos de escola ou da rua. Obrigação dos temporãos.
Ele entregava leite na porta da frente, próximo à escada que dava acesso ao segundo andar, onde ele morava.
A medida dele era confiável, o leite também. Ao fervê-lo, a nata espessa se formava. Nata que Dona Alice recolhia para fazer biscoitos ou pasteizinhos recheados com goiabada.
Seu Orlando Zotelle também morou aí.

Podem querer ter amenizado as rugas e as linhas de expressão do velho casarão, mas, juro, gostava dele daquela forma: sóbrio, romântico e fornecedor de leite e de cimento.

Seu Orly Bassetti comandava, com punhos de ferro, a única casa de material de construção que por aqui existia. Vendia, desde tintas, até o menor parafuso. Era uma casa com escada íngreme, com varandinhas na frente. Bege ou marrom, não lembro direito. Tempos remotos? Nem tanto.
Refiro-me ao sobrado que tem criado polêmica aqui na Terrinha. Sei que está descaracterizado. A aparência não é mais a mesma. Talvez tenha passado por aplicações da tal toxina botulínica, mas a essência continua a mesma.
Podem querer ter amenizado as rugas e as linhas de expressão do velho casarão, mas, juro, gostava dele daquela forma: sóbrio, romântico e fornecedor de leite e de cimento.

Continuo gostando. É a minha história, é a história da Terrinha. Famílias amigas moraram ali. Há uma história ali. Vidas, amigos, saudades, infância. Seu Chico Miguel, Dona Alice, Donas Pinas (a Pretti e a Dalcolmo), Dona Cristina (mãe da Lucinete, da Popa, da Rita, da Cristina e de mais meia dúzia), Frei Angélico e o Estevão. Os Gasparini, os Biasutti, os Croce. Tantos outros. Éramos famílias unidas ao redor do casarão. O casarão do seu Virgílio Bassetti, o vendedor de leite.

Bom dia, Terrinha!
Bom dia, amigos!

Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 14 do Jornal Santa Notícia.

 

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O jornal Santa Notícia acaba de completar um ano e a comemoração não poderia ser em outro lugar: no Festival Internacional de Jazz e Bossa de Santa Teresa.

Afinal, o lançamento da primeira edição, em junho de 2014, foi justamente nesse importante evento do Estado, que marca a abertura da Temporada de Inverno Capixaba. E foi nesse clima de música, alegria e gastronomia – a cobertura pode ser conferida em reportagem nesta edição – que o jornal festejou seu aniversário, com orgulho de ser, cada vez mais, reconhecido e referência na Região dos Imigrantes.

Foram 12 edições destacando a cultura e as características regionais dos municípios, abordando meio ambiente, turismo, direito do consumidor, história… Ou seja, potencializando os atrativos do Espírito Santo, com destaque para os municípios de Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, São Roque do Canaã, Itarana, Itaguaçu e Fundão. O Jornal Santa Notícia reforça o compromisso de continuar cobrindo e divulgando as belezas e maravilhas da Região dos Imigrantes.

Nesta que é a 13ª edição, por exemplo, você poderá conferir outro grande evento do qual também iremos participar, com uma  cobertura completa da programação: o Santa Teresa Inverno Gourmet, que vai promover um intercâmbio entre as receitas típicas de famílias italianas com a alta gastronomia.E quando se fala em Santa Teresa, é impossível não associar o município ao legado deixado pelo Patrono da Ecologia no Brasil, Augusto Ruschi.

A abertura das homenagens para celebrar o centenário do naturalista, que levou o nome da Terra dos Colibris para o mundo, também pode ser conferida nas próximas páginas.Contribuir para o resgate e a preservação da história da região é um dos objetivos do Santa Notícia. Por isso, valorizamos ações que tenham esse propósito, como o lançamento de mais um livro da premiada escritora teresense Sandra Gasparini, onde ela  resgata a memória dos primeiros imigrantes italianos que chegaram ao Espírito Santo.

Com um olhar também voltado para o futuro, reportagem traz um balanço de uma Missão Técnica à China, onde avicultores de Santa Maria de Jetibá foram conhecer novas tecnologias aplicadas à produção de ovos e voltaram cheios de novidades. Aproveite também as informações que nossos colunistas prepararam especialmente para atualizá-los sobre o que acontece nas cidades e, por que não, no País. Um exemplo é a coluna Seus Direitos, que neste mês detalha as principais mudanças após a aprovação da lei que regulamenta a atividade dos trabalhadores domésticos.

Que venham muitos anos de parceria com você, leitor, que é a razão de nossa busca por trazer informações relevantes e com qualidade.

Boa leiturae até a próxima edição!

Confira a edição 13, clicando aqui.

Em sua terceira obra sobre o tema, Sandra Gasparini traz relatos de famílias de Santa Teresa e cerca de 900 fotografias. O livro tem 484 páginas com relatos  históricos e poemas.

 

1002492_10200639164979093_8663051921679054620_nDisposta a resgatar parte da memória da colonização no Espírito Santo, a escritora Sandra Gasparini fez muitas pesquisas, percorreu propriedades, ouviu relatos de famílias e reuniu fotografias que recontam a chegada dos primeiros italianos ao Estado.Todo esse trabalho está distribuído nas 484 páginas do livro “Santa Teresa do Espírito Santo – História e Memória”, que ela lançou no dia 23 de junho, no Museu Mello Leitão, no município que dá título à publicação. Também houve um lançamento no dia 18 na Biblioteca Pública Estadual, em Vitória. O livro é o terceiro da autora sobre o tema e, somado aos dois primeiros – “Santa Teresa Viagem no Tempo – de 1873 a 2008” e “Santa Teresa Viagem no Tempo – de 1873 a 2009”, lançados em 2008 e 2009, respectivamente – revela 90% dessa história,  garante.“É um relato de como vieram essas famílias. Pesquisei documentos, ouvi muitas histórias no interior. Depois dos dois primeiros livros, aprofundei muito a pesquisa para chegar a este, que servirá para consultas de estudantes na universidade e ajudará na preservação dessa cultura”, ressaltou a escritora. Sandra acrescentou que a história é entremeada por 30 poemas relacionados à temática, além de ser bastante ilustrada. Para se ter  ideia, são cerca de 900 fotografias, entre imagens coloridas e em preto e branco, que ilustram a trajetória das famílias que construíram e povoaram Santa Teresa. A escritora é natural de Santa Teresa e contou que sempre foi apaixonada por pesquisar a história dos primeiros italianos que chegaram ao município. “Sempre fui curiosa e me interessei pelos relatos das pessoas. Ficava ouvindo e fui guardando essas memórias. No primeiro livro, comecei contando a história da minha família, e então decidi ampliar os estudos”, contou ela. Os dois primeiros livros, inclusive, renderam premiações à autora na Itália, devido à relevância de suas pesquisas. A nova publicação, por exemplo, traz uma relação de 50 páginas com nomes e sobrenomes de imigrantes italianos que desembarcaram no Espírito Santo.“Não são apenas nomes deles, mas também o navio em que chegaram, o mês, ano, idade dos imigrantes, de acordo com informações do Arquivo Público do Espírito Santo”, revelou.

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“Sempre fui curiosa e me interessei pelos relatos das pessoas.

Ficava ouvindo e fui guardando essas memórias”

Sandra Gasparini, escritora

 Solenidade marcou a abertura das atividades que serão realizadas em Santa Teresa até dezembro para lembrar o centenário do Patrono da Ecologia no BrasilSONY DSC

Em 5 de junho é comemorado o Dia do Meio Ambiente. Mas a data ganhou um novo significado em 1986, quando o naturalista Augusto Ruschi, que se dedicou e lutou pela preservação da natureza, tornando-se o Patrono da Ecologia no Brasil, era sepultado.
Cercada de simbolismos, a data foi escolhida neste ano para abertura das comemorações do Centenário de Augusto Ruschi. Se estivesse vivo, ele completaria 100 anos em dezembro, e até lá sua memória será reverenciada em uma série de eventos.

A primeira homenagem foi realizada pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) ­­– o antigo Museu de Biologia Professor Mello Leitão, criado pelo cientista em Santa Teresa em 1949 –, em parceria com a Associação de Amigos do Museu (Sambio).

Augusto Ruschi era um visionário. Ele produziu ciência nessa região, o que é uma marca internacional para Santa Teresa e o Espírito Santo. Paulo Hartung, governador do Estado do Espírito Santo

Durante o evento, foi lançada a Agenda Comemorativa do Centenário, em sessão solene, que teve a presença de autoridades estaduais e municipais, entre elas o governador Paulo Hartung.
“É muito importante estarmos aqui iniciando as comemorações dos 100 anos de Augusto Ruschi, que teve em sua trajetória uma ação que carrega a marca do pioneirismo. Quando poucos brasileiros discutiam o tema ambiental, ele já tinha uma liderança, um protagonismo importante. Celebrar esses 100 anos é celebrar o trabalho, a luta, a militância e a dedicação de alguém que era um visionário”, afirmou Hartung.

O diretor do INMA, Helio de Queiroz Boudet Fernandes, lembrou da criação do museu, que, segundo ele, vem sobrevivendo graças ao ideal de conservação da natureza de seu fundador. “Esse ideal ultrapassa fronteiras, ele é planetário. Instalou-se aqui em Santa Teresa, no Espírito Santo e permanece muito forte”, ressaltou.
Viúva de Ruschi e também dedicada ao museu, Marilande Angeli se emocionou com as homenagens. “Tive o grande prazer de ouvir falas que demonstram carinho por ele. Ruschi deixou um legado que permite que seja lembrado, e essa memória será preservada”, afirmou.

Este evento foi a primeira das homenagens que serão dedicadas a Augusto Ruschi neste ano.  Queremos que ele sempre seja lembrado. Marilande Angeli, viúva de Augusto Ruschi

Frei José, que prestigiou a solenidade, destacou a contribuição do naturalista para a conservação do meio ambiente. “Ele carregou a bandeira da defesa da natureza. Santa Teresa é uma privilegiada. Se hoje o município se conserva tanto, é graças a Augusto Ruschi”, ressaltou.
Morador do município, o professor Antonio Zurlo também participou da homenagem. “Augusto Ruschi tanto lutou pelo meio ambiente e não pensava em dinheiro, riqueza. Foi um batalhador e devemos agradecer muito ao empenho dele no sentido de preservação da natureza, que é nossa própria vida.”

Quem foi Augusto Ruschisanta-noticia_rogeriomedeiros (3)

Nascido em Santa Teresa, no dia 12 de dezembro de 1915, Augusto Ruschi teve uma vida marcada pelo amor à
natureza. Estudou diversas espécies de plantas e animais, tornando-se mais conhecido por seus estudos com orquídeas e beija-flores.
Defensor incansável da natureza, teve papel fundamental na criação de áreas de conservação no Espírito Santo. Morreu em 3 de junho de 1986 e foi sepultado no Dia Mundial do Meio Ambiente, na Estação Biológica de Santa Lúcia, onde realizou várias pesquisas.

Paulo Bonino, fotógrafo e amigo

santa-noticia_fredcolnagoDurante as homenagens a Augusto Ruschi, também foi aberta a exposição fotográfica “Meu Caro Amigo”, de Paulo Bonino, no Museu de Biologia Mello Leitão. Natural de Santa Teresa, o fotógrafo registrou a beleza dos beija-flores e o trabalho de Ruschi nos anos 80, época em que acompanhava as atividades do ambientalista.

 

 

 

 

Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 5 do Jornal Santa Notícia.

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A edição de número 12 do Santa Notícia está bem musical e festiva. Além de um serviço bem completinho, com todas as atrações e a gastronomia do Festival Internacional de Jazz de Santa Teresa, apresentamos a programação da tradicional Festa do Imigrante Italiano, que acontece em junho, na Terra dos Colibris.

E você acompanha também a cobertura, com fotos, da Festa Pomerana, que reuniu milhares de pessoas em Santa Maria de Jetibá para celebrar a cultura e a tradição germânica na cidade mais pomerana do Brasil. A nova rainha, que tem apenas 15 anos, conta como será o seu soberano reinado. Para os cidadãos ítalo-descendentes do Estado, uma visita importante trouxe garantia de apoio e de laços mais estreitos entre Brasil e Itália. É que Santa Teresa recebeu Fausto Longo, o primeiro brasileiro a ser eleito senador na Itália.

E ele garantiu que vai agilizar e desburocratizar a Fila da Cidadania.Falando em Itália, você sabia que este ano a igreja matriz de Itarana, que segue arquitetura inspirada nas obras italianas, vai completar 100 anos de evangelização? É isso mesmo. E o Santa Notícia já traz um aperitivo sobre as curiosidades que marcam a história da paróquia. Mas os detalhes mesmo ficam para a próxima edição, que traz uma reportagem especial sobre o centenário da primeira igreja consagrada do Espírito Santo.

Como a ciência é muito importante para o desenvolvimento da humanidade, a gente mostra também que em Santa Teresa o gosto pela pesquisa começa desde cedo, com o projeto Jovens Pesquisadores, desenvolvido no Instituto da Mata Atlântica (antigo Museu Professor Mello Leitão).

E a repercussão do Santa Semente, que caiu no gosto da população, foi superaprovado em todo o Estado, conquistando ainda mais apoio e, em breve, estará dando novos frutos. O Santa Notícia fica feliz em saber que essa sementinha do bem já foi plantada na vida de muitos cidadãos que sabem a importância da consciência ambiental.Além do giro pela Rota dos Imigrantes, da opinião dos colunistas sobre meio ambiente, turismo e direito do consumidor, e muito mais. Ficou curioso? Então é só ler as próximas páginas e ficar por dentro do que é notícia.

Boa leitura!

Confira a edição 13, clicando aqui.

As flores roxas, rosas e amarelas podem ser vistas em cidades como Santa Leopoldina, Santa Maria, Itarana, Santa Teresa e São Roque do Canaã

As ruas da Região Serrana do Espírito Santo estão cheias de árvores carregadas por uma flor roxinha, de tonalidade vibrante. São as quaresmeiras, que como o próprio nome já diz, florescem nessa época do ano, que é a quaresma – período entre o Carnaval e a Páscoa.

Típicas da Mata Atlântica, se adaptam tanto ao calor quanto ao clima mais fresquinho, e uma coisa é certa, sozinhas ou em grupos, elas se destacam entre as áreas verdes com suas tonalidades vivas, e são responsáveis por um belo visual.
“Elas já desabrocharam e podem ser vistas em Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Itarana, Santa Teresa e São Roque do Canaã, por exemplo, tanto nas margens das estradas e rodovias quanto nas cidades. Em algumas árvores, a quantidade de flores é tão grande que pode tomar toda a copa arredondada, que muitas vezes chega a quatro metros de diâmetro”, disse a bióloga Fernanda Lírio.

No Estado, além do roxo, o amarelo e o rosa fazem parte da diversidade de cores em que as flores aparecem. “As quaresmeiras crescem rapidamente, possuem um porte médio e raízes profundas. Elas ocorrem, principalmente, em formações secundárias, como capoeiras e capoeirões. E são raras no interior das matas densas, por serem plantas pioneiras (as primeiras que se formam). São encontradas no Espírito Santo, na Bahia, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, nas florestas pluviais da encosta atlântica”, explicou o engenheiro agrônomo Gerson Tavares da Motta.

Para a pedagoga Marisange Blank Zamprogno, poder apreciar uma paisagem com as quaresmeiras floridas é como ganhar um presente. “Em meio a todo o caos urbano e social em que vivemos, poder apreciar essa paisagem nos traz a sensação de que fomos presenteados pela natureza. Um misto de sentimentos de gratidão e tranquilidade. É bem como nos diz o filósofo Kant: o belo encanta, o sublime comove”.

Maria Helena Salviato Biasutti Pignaton também compartilha essa opinião: “gosto de subir a serra até a Terra dos Colibris. O verde das folhas mistura-se ao amarelo dos ipês e ao roxo das quaresmeiras e transmitem felicidade”.

Campanha
Entrando antecipadamente no clima da primavera, o Santa Notícia não poderia deixar de destacar o show das quaresmeiras. Para isso, o jornal realizou uma campanha, no Facebook, pedindo para que os leitores enviassem fotos da paisagem do Espírito Santo colorida pela floração dessas árvores.
O resultado não poderia ser outro: uma seleção de belas imagens que enfeitam esta edição.
Se você ainda não conferiu de perto, vale a pena visitar as montanhas capixabas nesta época do ano e curtir bastante esse espetáculo de cores.

Raio X
» Nome popular: Quaresmeira
» Gênero: Tibouchina
» Família: Melastomataceae
» Características: porte médio e raízes profundas
» Cores: roxo, amarelo e rosa

Matéria publicada na edição 11, mês abril, página 8 e 9 do Jornal Santa Notícia.