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Descendentes de italianos se empenham para preservar construções antigas que mantêm viva a história da Região dos Imigrantes no Estado

Por Valbert Vago
Eles são presença marcante e imprimem um charme todo especial às paisagens dos municípios da região serrana do Estado. São os casarões que estão nas margens das estradas ou sobre os morros das serras capixabas.

Família Melotti na janela do casarão

Família Melotti na janela do casarão


De arquitetura singular, não se tratam apenas de prédios antigos, muitas vezes desabitados. São verdadeiras relíquias arquitetônicas, dotadas de histórias de um passado de sonhos e conquistas e memórias de gente que aprendeu a reconstruir a vida em um novo e desafiador mundo.

Não há estimativa de quantos sobrados e casebres antigos ainda resistem de pé na região. A maioria, na verdade, nem nota quando desaparecem de um dia para o outro. É certo, porém, que a maioria dentre as poucas centenas remanescentes ainda existe por causa do apego de seus proprietários para com os mesmos, considerados para estes uma espécie de relíquia familiar, testemunha da própria história.

Em São Roque do Canaã, de 2001 a 2004 a prefeitura realizou um levantamento de todas as construções com expressivo valor histórico. Foram fotografadas cerca de 130 casas, construídas entre 1880 e 1940. Também foram entrevistados descendentes dos construtores, para sensibilizar os proprietários das casas que cediam aos apelos especuladores, que compravam as construções antigas para revender a madeira ou até mesmo reconstruí-las em outros estados.
“O casario típico do imigrante, que ainda estampa e embeleza as serras e vales do interior capixaba, são verdadeiros museus, carregados de histórias que precisam ser preservadas, sob risco de se perder por completo a identidade cultural de um povo, diante dos apelos de uma modernidade desprovida de sentimentos de pertença, uma marca da geração contemporânea”, afirma o historiador Luis Fernando Achiamé, membro do Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo.
Não são poucos os casos de construções de alto valor histórico sendo utilizadas pelos proprietários sem a percepção do real valor.

Utilizadas como paióis, garagens, depósitos de insumos, muitas vão se deteriorando. Outras, habitadas por meeiros ou por proprietários, vão suportando a pressão das intempéries. Algumas, porém, dado o apego sentimental e o cuidado dos proprietários sobrevivem ao tempo quase que com a mesma imponência.

São verdadeiros museus, carregados de histórias que precisam ser preservadas
Luis Fernando Achiamé, historiador

 

Histórias da família escrita à mão

Alexandre, Maria de Fátima e Severino Melotti com o documento redigido pelo avô Giácomo: história construída pelas mãos

Alexandre, Maria de Fátima e Severino Melotti com o documento redigido pelo avô Giácomo: história construída pelas mãos

Perguntados sobre as histórias vividas e contadas pelos ancestrais, os Melotti se emocionam tempo todo. “A casa é um museu de histórias continuamente vivas em nossas memórias”, afirma Severino Melotti, o mais velho dos irmãos.

Alexandre, um dos irmãos, faz questão de mostrar um documento muito bem preservado, no qual o patriarca Giacommo Melotti registrava, de próprio punho, os acontecimentos marcantes na história da família, tais como datas de casamentos, nascimentos e falecimentos dos filhos. “Era um homem muito inteligente, à frente de seu tempo. Imagino que tinha alguma instrução, por que era bom comerciante e um grande líder na região”, disse Alexandre.

Herdeiros mantêm museu particular

Em São Roque do Canaã, no distrito de Santa Julia, o Sítio Felício Melotti é uma espécie de museu particular da família, descendente dos pioneiros do local.

Bem cuidado e imponente, está o casarão que abrigou a família e o comércio de secos e molhados, desde sua construção em 1909. No sobrado, além da mobília de época e fotos de todas as gerações, há um cômodo que os proprietários destinaram a guardar os instrumentos, ferramentas e utensílios usados pela família, ao longo de mais de um século.

Os Melotti no pequeno museu que homenageia os patriarcas

Os Melotti no pequeno museu que homenageia os patriarcas

Construído pelos pioneiros Giaccomo Melotti e Zelinda Guaitolini Melotti, em 1909, ainda mantém as características e elementos originais.
Mas preservar uma construção de mais de um século não é tarefa fácil. O museu particular dos Melotti só está em tão boas condições porque é mantido pelos netos herdeiros. Eles também conservam mais duas casas ainda mais antigas, sendo uma o primeiro casebre construído pelos patriarcas quando se instalaram na região, por volta de 1900.

“Quando meus avôs faleceram, as terras e o casario da sede da fazenda ficaram para meu pai. Quando este faleceu, as terras foram divididas entre os filhos. Já a sede, decidiu-se que seria uma sociedade entre todos.

Uma forma de podermos, juntos, ter condições de conservar”, justifica Maria de Fátima Melotti, sócia e responsável pela administração do sítio.

Capela conserva coreto e altar

A primeira máquina de pilar café do Estado, conta-se, operava no Sítio São Pedro. Até a capela do sítio é fruto da visão empreendedora e da riqueza do pioneiro Silvestro Fritolli. Nos anos 1930, uma enchente destruiu o cemitério dos pioneiros da comunidade.

Fritolli doou o terreno para a construção do novo cemitério, porém, não admitia que no mesmo não tivesse uma capela. Então, mandou trazer de sua antiga região de origem na Itália, uma cópia da planta da capela local, a qual reproduziu na construção local.

Segundo uma bisneta de Fritolli, a capela do sítio é a única entre as 27 da paróquia que ainda conserva o coreto no pátio, além do altar e os demais elementos da época. Alguns membros da liderança religiosa local já haviam se mobilizado para derrubar o coreto, quando foram impedidos.

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Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 8 e 9 do Jornal Santa Notícia.

Evento acontece nos dias 20, 21 e 22 de maio.
Nuno Mindelis é um dos destaques que se apresentam no festival.

Com a proximidade da 5ª edição do Festival Internacional de Jazz & Bossa de Santa Teresa, a expectativa é de que cerca de 15 mil pessoas compareçam à terra dos colibris, na região serrana do Espírito Santo, durante sexta-feira (20), sábado (21) e domingo (22). Os shows vão custar R$ 33 (meia) na sexta-feira (20) e no sábado (21) à noite e apresentações gratuitas no sábado (21) e no domingo (22) durante o dia.

Grandes nomes internacionais do jazz, bossa nova e blues, como Mark Lambert & Quinteto Radio Swing, Nuno Mindelis e The Teardrops Blues Band estarão reunidos no festival, que estará concentrado no Parque de Exposições da cidade.
Em entrevista, o organizador do evento José Olavo Médici disse que a expectativa de público para o festival neste ano é de 6 mil por dia.
“Nesses quatro anos de Jazz & Bossa temos nos aprimorado no treinamento e capacitação da rede de hotelaria e comércios da cidade para garantir ao turistas as melhores condições de receptividade possível”, garante.
Segundo ele, as informações são de que as vagas em hotéis e pousadas já estão quase completamente preenchidas. Quem ainda não garantiu hospedagem ainda pode procurar por aluguéis de casa ou serviço de cama e café.

Além dessa opção a empresa de turismo Fomatur está com vans que farão o transporte das pessoas da grande Vitória até Santa Teresa durante o evento.
A passagem está no valor de R$ 75 e o pacote passagem e ingresso para a sexta (20) custa R$ 105, no sábado (21) o preço do pacote é de R$ 125. Já no domingo (22), não haverá cobrança de ingressos.

Serviço:
5ª edição do Festival Internacional de Jazz & Bossa de Santa Teresa
Data: 20, 21 e 22 de maio
Horários: Sexta, de 20h à 1h; Sábado, 11h30 à 1h e Domingo, de 12h às 14h30.
Local: Parque de Exposições de Santa Teresa
Ingressos: Sexta-feira: R$ 33 (meia); Sábado: Gratuitos, de 11h30 às 14h, e R$ 33 (meia), a partir de 20h30; Domingo: Entrada gratuita.
Pontos de venda: Ranking, Vollare Viagens, Órbita Rock, Ademar Cunha e Loja da Belinha, além do site meubilhete.com.

Fiéis estão resgatando a história da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, que completa 64 anos de
inauguração, no ano do centenário da paróquia

Igreja Itarana, 1951

Foto antiga mostra imponência da igreja,
que começou a ser construída em 1920

Quem chega a Itarana, na Região dos Imigrantes, logo vê a Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora. Construída no alto, em um lugar que pode ser avistado praticamente de toda a cidade, a igreja está completando 64 anos de inauguração e consagração, no ano em que a paróquia também comemora seu centenário.

Com uma arquitetura que chama a atenção, a construção da igreja é cercada de histórias. Para se ter uma ideia, o prédio levou três décadas para ser erguido, desde o início da obra, em 1920, considerada um projeto ousado para a época.

“O dinheiro acabava, foram feitos leilões para angariar mais, o padre rodava as propriedades pedindo ajuda. Foi muita ousadia, fizeram uma igreja grande, toda trabalhada, e até hoje ela se destaca. Conta-se que, na época, a ideia era construir uma basílica”, contou a aposentada Maria Auxiliadora Maso Casagrande, a Dora.

A pedido do padre Neil Joaquim de Almeida e com o auxílio da sobrinha, Nilza Maria Covre Bergamaschi, Dora realizou pesquisas para resgatar a história da igreja. A ideia é transformar as informações em uma publicação. Após pesquisas em documentos antigos e ouvindo relatos de fiéis que viveram naquela época, ela reuniu várias curiosidades sobre a construção da Matriz.

A Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora foi instalada em 24 de julho de 1915, na então vila de Figueira de Santa Joana, que pertencia a Afonso Cláudio. Havia uma igreja, mas, em 17 de abril de 1919, iniciou-se uma sociedade para angariar fundos para a construção da nova Matriz. Cada um pagava mil réis por mês para a obra, que teve início em 17 de novembro de 1920.
No dia 1° de outubro de 1933, a obra da Igreja Matriz estava parada havia dois anos. Cerca de um ano depois, em 3 de setembro de 1934, as paredes da velha Matriz caíram. Nessa época, as missas da paróquia eram realizadas na capela de São Sebastião, devido aos problemas de estrutura da igreja.

Mas, segundo relatos, a capela era pequena e mal cabiam as crianças. Os homens e as mulheres ficavam do lado de fora, expostos ao sol e à chuva. Então, o bispo nomeou nova comissão, com supervisão do vigário Paulo de Tarso, para o término da obra.
Segundo documentos históricos levantados por Dora Maso, ele sempre dizia que seria erguido no local um templo magnífico, “sem dúvida, o maior e o mais belo de todo o Estado do Espírito Santo”.
A partir de 1939, foram feitos leilões para ajudar na obra. “Padre Henrique Zamperetti muito contribuiu para a construção dessa igreja, indo visitar as famílias a cavalo, pedindo doações, sacas de café para o término da obra”, contou Dora.

 

Projeto com luxo e  riqueza de detalhes

Com uma arquitetura no estilo eclético, a Igreja Matriz de Itarana chama a atenção pelos detalhes. O altar é feito em mármore Carrara, que veio da Itália, e tem adornos no estilo rococó, assim como as colunas, que lembram as de construções romanas.

O projetista Vitorio Stringari – que era técnico, professor de Artes e trabalhava na Escola Técnica do Espírito Santo e trabalhou também na construção da Igreja de São Sebastião, Praça Oito e Santo Antônio de Sossego – passava as férias, entre dezembro e fevereiro, na região, e ajudou na obra. Foi ele quem moldou em gesso as peças estilo rococó que adornam o templo.
As formas que ele preparou para moldar as peças ficaram por anos guardadas sob a escada da casa canônica. Elas foram encontradas somente em 2009.

Os anjos que seguram o candelabro de Nossa Senhora Auxiliadora foram feitos pelo professor Américo, da então Escola Técnica Federal do Espírito Santo. Ele os moldou tendo Olivia Cei de Araújo como modelo.

O quadro para colocar a planta da matriz foi feito por Pedro Sepulcri e a planta foi trazida pelo padre Frederico. A construção da arte dos arcos, colunas e outras partes da construção foram feitas por Quintino dos Santos, que fazia as peças nos moldes e depois adornava os arcos e colunas dentro e fora da igreja, no altar.

O piso da Igreja Matriz é conhecido como ladrilho hidráulico e é um tipo de revestimento artesanal feito à base de cimento, usado em pisos e paredes, que teve seu apogeu entre o fim do século XIX e meados do século XX.

Primeira a ser consagrada no Estado

A inauguração da Igreja Matriz Nossa Senhora Auxiliadora, em 15 de julho de 1951, em Itarana, foi um grande evento. O templo foi o primeiro a ser consagrado no Estado antes mesmo do Convento da Penha.

A sagração foi feita pelo bispo dom Luiz Scortegagna. Na época, o padre Henrique Zamperetti, que chegou em outubro de 1946, não mediu esforços com objetivo de angariar fundos para a conclusão da obra. A celebração foi acompanhada por pessoas de outros municípios, incluindo autoridades. A notícia sobre a festa foi publicada em jornais do Estado, como A Tribuna, e até da Itália, e chegou a ser filmada.

As ruas ficaram lotadas, pois na consagração os fiéis ficaram do lado de fora, enquanto os padres e bispos faziam a consagração e as autoridades acompanhavam. Segundo relatos, a solenidade durou cerca de seis horas.
Quem estava lá era a aposentada Alba Venturini, 89 anos. Ela era corista e cantou durante a celebração. Ela lembra que o grupo era formado por cerca de 15 pessoas, que acompanharam o evento. Em casa, guarda com carinho e cuidado recortes de jornal que relatam a consagração.

Em A Tribuna de 19 de julho de 1951, Osvaldo Zanello descreveu: “Oficiadas por Dom Luiz Scortegagna, com acompanhamento de cerca de dez sacerdotes, entre os quais se encontrava o ilustre diretor do Colégio Sacramentino Pio XI de Manhumirim, as solenidades duraram cerca de seis horas”.

A publicação descrevia a igreja: “Rendas e filigranas imortalizam um artista, cuja sintonia de cores reflete o bom gosto e o conhecimento do belo, cujo altar-mor, talhado de mármore Carrara, nos trouxe a contribuição dos artistas da lendária e amiga Itália, procuramos conhecer um pouco da história daquele templo que se consagrava com tanto esplendor e suntuosidade à Virgem Auxiliadora dos Aflitos”.

De acordo com o jornal, com divergências entre os políticos sobre emancipação, entraram num acordo em que Itaguaçu ficaria com a sede do município e Itarana com a sede da Paróquia.

Memórias bem guardadas

Aos 89 anos, Alba Venturini lembra bem da conquista que foi para Itarana a conclusão da obra da Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora. Ela era integrante do grupo de coristas e participou ativamente do evento de inauguração e consagração da igreja, em 1951.
“A construção da paróquia foi sempre muito difícil, tudo feito pela comunidade mesmo. Tinha muita festa para arrecadar dinheiro. O dia da consagração foi muito especial”, contou ela, que lembra o nome de cada um dos colegas de coro que participaram da missa.
Dona Alba guarda recortes antigos de jornal e um deles, de 1965, ressalta a comemoração dos 50 anos da paróquia. “Achei o jornal no lixo e guardei”, contou ela.

Em 1951, evento registrado em filme

A importância da construção da Igreja Matriz para Itarana foi tanta que a celebração para inauguração e consagração do templo foi registrada em filme, quando filmar um evento ainda era algo pouco comum e guardado apenas para ocasiões muito especiais.

Quem contratou a filmagem, em preto e branco e sem áudio, foi Elias Estevão Colnago. Um cinegrafista contratado foi de Vitória a Itarana para fazer o trabalho. Posteriormente, o filme foi dado a Florisval Vieira Malta, marido de Alba Venturini. Ela contou que ele tinha na época um cinema itinerante e recebeu as imagens em 16 milímetros.
As imagens, resgatadas recentemente e transformadas em DVD, mostram as ruas em torno da Matriz lotadas de fiéis e o bispo dom Luiz Scortegagna fazendo os ritos da consagração, com água benta.

Dona Alba Venturini, que era corista da igreja e cantou durante a celebração, lembra que a igreja estava vazia, sem os bancos. “Dentro dela estavam somente os padres, o bispo e as cantoras do coro, que eu fazia parte. O bispo ungiu as cruzes da parede, tudo foi ungido”, lembrou.

Confira o vídeo:

Curiosidades

O símbolo

Na fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora tem um pelicano. Na Europa medieval, considerava-se a ave um animal especialmente zeloso com seu filhote, ao ponto de, não havendo com que o alimentar, dar-lhe de seu próprio sangue. O pelicano tornou-se, então, um símbolo da Paixão de Cristo e da Eucaristia.

A imagem

A imagem de Nossa Senhora Auxiliadora é de madeira e foi esculpida na Escola Pavoniana de Escultura em Santo Antônio, em Vitória, a pedido do padre Henrique Zamperetti.
O escultor foi Tomaselli e o doador foi Salvador Fardin. A imagem mede 1,70m e tem o cetro solto com coroas fixas. Foi levada em procissão desde a Canônica até a Matriz.

O cruzeiro

O cruzeiro atrás da Igreja Matriz substituiu um mais antigo que ficava próximo à antiga igreja por estar corroído pelo tempo. Com mais de 50 anos, foi lavrado por João Alves e os detalhes foram feitos por Andréa Cei.
Luiz Galvagne, Wandir Follador e Herlio Sepulcri ajudaram a construí-lo.

Reforma em 1961

A primeira remodelação da Igreja Matriz começou em 14 de agosto de 1961. A torre estava cheia de cupim e o telhado dos vãos laterais precisava de conserto. Foi trocada a madeira da torre, que ganhou cimento e foi aumentada em 3 metros. O término das obras da Matriz aconteceu em 18 de agosto de 1962. Além de modificarem a torre, construíram um cômodo atrás da igreja para guardar madeira.

Matéria publicada na edição 14, mês agosto/2015, página 8 e 9 do Jornal Santa Notícia.

Em sua terceira obra sobre o tema, Sandra Gasparini traz relatos de famílias de Santa Teresa e cerca de 900 fotografias. O livro tem 484 páginas com relatos  históricos e poemas.

 

1002492_10200639164979093_8663051921679054620_nDisposta a resgatar parte da memória da colonização no Espírito Santo, a escritora Sandra Gasparini fez muitas pesquisas, percorreu propriedades, ouviu relatos de famílias e reuniu fotografias que recontam a chegada dos primeiros italianos ao Estado.Todo esse trabalho está distribuído nas 484 páginas do livro “Santa Teresa do Espírito Santo – História e Memória”, que ela lançou no dia 23 de junho, no Museu Mello Leitão, no município que dá título à publicação. Também houve um lançamento no dia 18 na Biblioteca Pública Estadual, em Vitória. O livro é o terceiro da autora sobre o tema e, somado aos dois primeiros – “Santa Teresa Viagem no Tempo – de 1873 a 2008” e “Santa Teresa Viagem no Tempo – de 1873 a 2009”, lançados em 2008 e 2009, respectivamente – revela 90% dessa história,  garante.“É um relato de como vieram essas famílias. Pesquisei documentos, ouvi muitas histórias no interior. Depois dos dois primeiros livros, aprofundei muito a pesquisa para chegar a este, que servirá para consultas de estudantes na universidade e ajudará na preservação dessa cultura”, ressaltou a escritora. Sandra acrescentou que a história é entremeada por 30 poemas relacionados à temática, além de ser bastante ilustrada. Para se ter  ideia, são cerca de 900 fotografias, entre imagens coloridas e em preto e branco, que ilustram a trajetória das famílias que construíram e povoaram Santa Teresa. A escritora é natural de Santa Teresa e contou que sempre foi apaixonada por pesquisar a história dos primeiros italianos que chegaram ao município. “Sempre fui curiosa e me interessei pelos relatos das pessoas. Ficava ouvindo e fui guardando essas memórias. No primeiro livro, comecei contando a história da minha família, e então decidi ampliar os estudos”, contou ela. Os dois primeiros livros, inclusive, renderam premiações à autora na Itália, devido à relevância de suas pesquisas. A nova publicação, por exemplo, traz uma relação de 50 páginas com nomes e sobrenomes de imigrantes italianos que desembarcaram no Espírito Santo.“Não são apenas nomes deles, mas também o navio em que chegaram, o mês, ano, idade dos imigrantes, de acordo com informações do Arquivo Público do Espírito Santo”, revelou.

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“Sempre fui curiosa e me interessei pelos relatos das pessoas.

Ficava ouvindo e fui guardando essas memórias”

Sandra Gasparini, escritora

Além de produzir verdadeiras delícias, em Santa Teresa, a Claid´s Biscoitos se preocupa em cuidar do que temos de maior valor, a vida e o meio ambiente. Na Terra dos Colibris, a fábrica reuniu colaboradores e clientes na quinta (11) para promover o plantio de 130 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, na unidade de preservação ambiental localizada na área da fábrica. A ação se estenderá até sábado (13) e está aberta ao público.

A intenção é criar um bosque de ipês, preservar a natureza, celebrar os 25 anos da fábrica e o centenário de Augusto Ruschi. A gerente administrativa da Claid´s, Joici Rasseli explica que o bosque Orlando Rasseli ocupará uma extensão de mil metros quadrados ao lado da fábrica e será formado, predominantemente, por diversas espécies de ipês.

“Temos uma área de preservação ambiental legalizada, e neste espaço também existe um pasto. Então, decidimos reflorestar esta extensão como uma atitude de proteção e respeito ao meio ambiente e marcar a comemoração dos 25 anos da fábrica. A ideia é cuidar, preservar a natureza e estimular outras pessoas a fazerem o mesmo. Muitas famílias participaram do plantio das mudas conosco nesta semana e percebemos como se sentiram felizes por fazer parte desta ação. É a construção de uma história, no futuro, as crianças, certamente, vão retornar a este local e lembrar que ajudaram a criar este bosque. É muito bom plantar uma árvore”, concluiu Joici.

O plantio das mudas aconteceu nesta semana e teve a participação do ambientalista Nilton Broseghini. Considerada árvore símbolo do Brasil, o ipê foi a espécie escolhida para compor o bosque devido a sua beleza e o colorido de suas folhagens. A árvore, em geral, pode atingir a 20 metros de altura.

O ipê floresce de julho a setembro e frutifica em setembro e outubro. No inverno, porém, a árvore se apresenta totalmente despida de folhas e flores. As diversas variedades de ipê recebem os respectivos nomes de acordo com as cores de suas flores ou madeira.

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 Solenidade marcou a abertura das atividades que serão realizadas em Santa Teresa até dezembro para lembrar o centenário do Patrono da Ecologia no BrasilSONY DSC

Em 5 de junho é comemorado o Dia do Meio Ambiente. Mas a data ganhou um novo significado em 1986, quando o naturalista Augusto Ruschi, que se dedicou e lutou pela preservação da natureza, tornando-se o Patrono da Ecologia no Brasil, era sepultado.
Cercada de simbolismos, a data foi escolhida neste ano para abertura das comemorações do Centenário de Augusto Ruschi. Se estivesse vivo, ele completaria 100 anos em dezembro, e até lá sua memória será reverenciada em uma série de eventos.

A primeira homenagem foi realizada pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) ­­– o antigo Museu de Biologia Professor Mello Leitão, criado pelo cientista em Santa Teresa em 1949 –, em parceria com a Associação de Amigos do Museu (Sambio).

Augusto Ruschi era um visionário. Ele produziu ciência nessa região, o que é uma marca internacional para Santa Teresa e o Espírito Santo. Paulo Hartung, governador do Estado do Espírito Santo

Durante o evento, foi lançada a Agenda Comemorativa do Centenário, em sessão solene, que teve a presença de autoridades estaduais e municipais, entre elas o governador Paulo Hartung.
“É muito importante estarmos aqui iniciando as comemorações dos 100 anos de Augusto Ruschi, que teve em sua trajetória uma ação que carrega a marca do pioneirismo. Quando poucos brasileiros discutiam o tema ambiental, ele já tinha uma liderança, um protagonismo importante. Celebrar esses 100 anos é celebrar o trabalho, a luta, a militância e a dedicação de alguém que era um visionário”, afirmou Hartung.

O diretor do INMA, Helio de Queiroz Boudet Fernandes, lembrou da criação do museu, que, segundo ele, vem sobrevivendo graças ao ideal de conservação da natureza de seu fundador. “Esse ideal ultrapassa fronteiras, ele é planetário. Instalou-se aqui em Santa Teresa, no Espírito Santo e permanece muito forte”, ressaltou.
Viúva de Ruschi e também dedicada ao museu, Marilande Angeli se emocionou com as homenagens. “Tive o grande prazer de ouvir falas que demonstram carinho por ele. Ruschi deixou um legado que permite que seja lembrado, e essa memória será preservada”, afirmou.

Este evento foi a primeira das homenagens que serão dedicadas a Augusto Ruschi neste ano.  Queremos que ele sempre seja lembrado. Marilande Angeli, viúva de Augusto Ruschi

Frei José, que prestigiou a solenidade, destacou a contribuição do naturalista para a conservação do meio ambiente. “Ele carregou a bandeira da defesa da natureza. Santa Teresa é uma privilegiada. Se hoje o município se conserva tanto, é graças a Augusto Ruschi”, ressaltou.
Morador do município, o professor Antonio Zurlo também participou da homenagem. “Augusto Ruschi tanto lutou pelo meio ambiente e não pensava em dinheiro, riqueza. Foi um batalhador e devemos agradecer muito ao empenho dele no sentido de preservação da natureza, que é nossa própria vida.”

Quem foi Augusto Ruschisanta-noticia_rogeriomedeiros (3)

Nascido em Santa Teresa, no dia 12 de dezembro de 1915, Augusto Ruschi teve uma vida marcada pelo amor à
natureza. Estudou diversas espécies de plantas e animais, tornando-se mais conhecido por seus estudos com orquídeas e beija-flores.
Defensor incansável da natureza, teve papel fundamental na criação de áreas de conservação no Espírito Santo. Morreu em 3 de junho de 1986 e foi sepultado no Dia Mundial do Meio Ambiente, na Estação Biológica de Santa Lúcia, onde realizou várias pesquisas.

Paulo Bonino, fotógrafo e amigo

santa-noticia_fredcolnagoDurante as homenagens a Augusto Ruschi, também foi aberta a exposição fotográfica “Meu Caro Amigo”, de Paulo Bonino, no Museu de Biologia Mello Leitão. Natural de Santa Teresa, o fotógrafo registrou a beleza dos beija-flores e o trabalho de Ruschi nos anos 80, época em que acompanhava as atividades do ambientalista.

 

 

 

 

Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 5 do Jornal Santa Notícia.