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Descendentes de italianos se empenham para preservar construções antigas que mantêm viva a história da Região dos Imigrantes no Estado

Por Valbert Vago
Eles são presença marcante e imprimem um charme todo especial às paisagens dos municípios da região serrana do Estado. São os casarões que estão nas margens das estradas ou sobre os morros das serras capixabas.

Família Melotti na janela do casarão

Família Melotti na janela do casarão


De arquitetura singular, não se tratam apenas de prédios antigos, muitas vezes desabitados. São verdadeiras relíquias arquitetônicas, dotadas de histórias de um passado de sonhos e conquistas e memórias de gente que aprendeu a reconstruir a vida em um novo e desafiador mundo.

Não há estimativa de quantos sobrados e casebres antigos ainda resistem de pé na região. A maioria, na verdade, nem nota quando desaparecem de um dia para o outro. É certo, porém, que a maioria dentre as poucas centenas remanescentes ainda existe por causa do apego de seus proprietários para com os mesmos, considerados para estes uma espécie de relíquia familiar, testemunha da própria história.

Em São Roque do Canaã, de 2001 a 2004 a prefeitura realizou um levantamento de todas as construções com expressivo valor histórico. Foram fotografadas cerca de 130 casas, construídas entre 1880 e 1940. Também foram entrevistados descendentes dos construtores, para sensibilizar os proprietários das casas que cediam aos apelos especuladores, que compravam as construções antigas para revender a madeira ou até mesmo reconstruí-las em outros estados.
“O casario típico do imigrante, que ainda estampa e embeleza as serras e vales do interior capixaba, são verdadeiros museus, carregados de histórias que precisam ser preservadas, sob risco de se perder por completo a identidade cultural de um povo, diante dos apelos de uma modernidade desprovida de sentimentos de pertença, uma marca da geração contemporânea”, afirma o historiador Luis Fernando Achiamé, membro do Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo.
Não são poucos os casos de construções de alto valor histórico sendo utilizadas pelos proprietários sem a percepção do real valor.

Utilizadas como paióis, garagens, depósitos de insumos, muitas vão se deteriorando. Outras, habitadas por meeiros ou por proprietários, vão suportando a pressão das intempéries. Algumas, porém, dado o apego sentimental e o cuidado dos proprietários sobrevivem ao tempo quase que com a mesma imponência.

São verdadeiros museus, carregados de histórias que precisam ser preservadas
Luis Fernando Achiamé, historiador

 

Histórias da família escrita à mão

Alexandre, Maria de Fátima e Severino Melotti com o documento redigido pelo avô Giácomo: história construída pelas mãos

Alexandre, Maria de Fátima e Severino Melotti com o documento redigido pelo avô Giácomo: história construída pelas mãos

Perguntados sobre as histórias vividas e contadas pelos ancestrais, os Melotti se emocionam tempo todo. “A casa é um museu de histórias continuamente vivas em nossas memórias”, afirma Severino Melotti, o mais velho dos irmãos.

Alexandre, um dos irmãos, faz questão de mostrar um documento muito bem preservado, no qual o patriarca Giacommo Melotti registrava, de próprio punho, os acontecimentos marcantes na história da família, tais como datas de casamentos, nascimentos e falecimentos dos filhos. “Era um homem muito inteligente, à frente de seu tempo. Imagino que tinha alguma instrução, por que era bom comerciante e um grande líder na região”, disse Alexandre.

Herdeiros mantêm museu particular

Em São Roque do Canaã, no distrito de Santa Julia, o Sítio Felício Melotti é uma espécie de museu particular da família, descendente dos pioneiros do local.

Bem cuidado e imponente, está o casarão que abrigou a família e o comércio de secos e molhados, desde sua construção em 1909. No sobrado, além da mobília de época e fotos de todas as gerações, há um cômodo que os proprietários destinaram a guardar os instrumentos, ferramentas e utensílios usados pela família, ao longo de mais de um século.

Os Melotti no pequeno museu que homenageia os patriarcas

Os Melotti no pequeno museu que homenageia os patriarcas

Construído pelos pioneiros Giaccomo Melotti e Zelinda Guaitolini Melotti, em 1909, ainda mantém as características e elementos originais.
Mas preservar uma construção de mais de um século não é tarefa fácil. O museu particular dos Melotti só está em tão boas condições porque é mantido pelos netos herdeiros. Eles também conservam mais duas casas ainda mais antigas, sendo uma o primeiro casebre construído pelos patriarcas quando se instalaram na região, por volta de 1900.

“Quando meus avôs faleceram, as terras e o casario da sede da fazenda ficaram para meu pai. Quando este faleceu, as terras foram divididas entre os filhos. Já a sede, decidiu-se que seria uma sociedade entre todos.

Uma forma de podermos, juntos, ter condições de conservar”, justifica Maria de Fátima Melotti, sócia e responsável pela administração do sítio.

Capela conserva coreto e altar

A primeira máquina de pilar café do Estado, conta-se, operava no Sítio São Pedro. Até a capela do sítio é fruto da visão empreendedora e da riqueza do pioneiro Silvestro Fritolli. Nos anos 1930, uma enchente destruiu o cemitério dos pioneiros da comunidade.

Fritolli doou o terreno para a construção do novo cemitério, porém, não admitia que no mesmo não tivesse uma capela. Então, mandou trazer de sua antiga região de origem na Itália, uma cópia da planta da capela local, a qual reproduziu na construção local.

Segundo uma bisneta de Fritolli, a capela do sítio é a única entre as 27 da paróquia que ainda conserva o coreto no pátio, além do altar e os demais elementos da época. Alguns membros da liderança religiosa local já haviam se mobilizado para derrubar o coreto, quando foram impedidos.

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Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 8 e 9 do Jornal Santa Notícia.

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Os tradicionais blocos de rua de Itarana vão animar o Carnaval 2016. O Boi Juruba, já está desfilando pela cidade desde o dia 21 de janeiro e vai até a sexta-feira (05/02). Nos quatro dias de carnaval quem comanda a folia é o Trio Pocotó, e após sua chegada no Rizzi a festa continua com o Dj Amarildo.

Neste ano a programação noturna da comunidade do Rizzi será realizada pela Secretaria Municipal de Desporto, Cultura e Turismo, em um terreno da Prefeitura, localizado próximo ao Campo do América.

No sábado, dia 30, será realizado um Grito de Carnaval na Praça Ana Mattos, a partir das 19 horas. O Boi Juruba vai desfilar pelas ruas acompanhado dos blocos da terceira idade e das crianças. A Feirinha Família na Praça vai animar ainda mais o evento. A proposta é que os foliões se fantasiem para a ocasião. Neste dia uma das ruas da Praça Ana Mattos estará fechada, a partir das 17 horas.

Boi Juruba
19 horas – Praça Ana
21/01 a 05 de fevereiro (exceto domingos)

Trio Pocotó
15horas – Rizzi
06 a 09 de fevereiro

Dj Amarildo
19 horas – Rizzi
06 a 09 de fevereiro

Fonte: http://www.itarana.es.gov.br/noticia/473

No próximo dia 30 de janeiro, um sábado, o Bloco Sujo, em Santa Teresa, completa 10 anos de folia. A previsão de público dos organizadores é de aproximadamente 2 mil pessoas, desfilando suas fantasias ao som das marchinhas, pagode e do irreverente “Xou da Xuxa”.

“A animação fica por conta das bandas Show Leopoldinense, que vai do posto de combustíveis, até a praça central. No palco, haverá apresentação da banda Sambanejo, que está com o bloco desde que a festa começou a ter apresentação musical”, disse a bancária Rogéria Porchera, uma das organizadoras do bloco.

Em seguida, haverá uma homenagem à rainha dos baixinhos, com o Xou da Xuxa, apresentação feita por moradores da comunidade. A festa, que começou como uma brincadeira entre amigos no distrito de Santo Antônio do Canaã (Patrimônio) cresceu e hoje abre o calendário oficial de eventos do município, que tem festas consolidadas como o Festival Internacional de Jazz & Bossa e a Festa do Imigrante Italiano.

A Xuxa, ou melhor, o morador Fábio Netto, lembrou que ele mesmo já chegou a construir um palco de madeira para a apresentação, que hoje conta com uma estrutura bem maior. “Nunca pensei que uma simples brincadeira se tornaria uma festa que já está completando 10 anos. Espero que o evento mantenha sua verdadeira essência, que é o Carnaval que queremos, com bastante pessoas fantasiadas e marchinhas. E nossa homenagem à Xuxa, é claro”.

Bloco Sujo
Onde: Santo Antônio do Canaã (Patrimônio), Santa Teresa-ES
Quando: sábado, 30/1/2016
Horário: a partir das 20 horas
Atrações: Banda Show Leopoldinense, Sambanejo e o irreverente Xou da Xuxa

 

Fiéis estão resgatando a história da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, que completa 64 anos de
inauguração, no ano do centenário da paróquia

Igreja Itarana, 1951

Foto antiga mostra imponência da igreja,
que começou a ser construída em 1920

Quem chega a Itarana, na Região dos Imigrantes, logo vê a Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora. Construída no alto, em um lugar que pode ser avistado praticamente de toda a cidade, a igreja está completando 64 anos de inauguração e consagração, no ano em que a paróquia também comemora seu centenário.

Com uma arquitetura que chama a atenção, a construção da igreja é cercada de histórias. Para se ter uma ideia, o prédio levou três décadas para ser erguido, desde o início da obra, em 1920, considerada um projeto ousado para a época.

“O dinheiro acabava, foram feitos leilões para angariar mais, o padre rodava as propriedades pedindo ajuda. Foi muita ousadia, fizeram uma igreja grande, toda trabalhada, e até hoje ela se destaca. Conta-se que, na época, a ideia era construir uma basílica”, contou a aposentada Maria Auxiliadora Maso Casagrande, a Dora.

A pedido do padre Neil Joaquim de Almeida e com o auxílio da sobrinha, Nilza Maria Covre Bergamaschi, Dora realizou pesquisas para resgatar a história da igreja. A ideia é transformar as informações em uma publicação. Após pesquisas em documentos antigos e ouvindo relatos de fiéis que viveram naquela época, ela reuniu várias curiosidades sobre a construção da Matriz.

A Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora foi instalada em 24 de julho de 1915, na então vila de Figueira de Santa Joana, que pertencia a Afonso Cláudio. Havia uma igreja, mas, em 17 de abril de 1919, iniciou-se uma sociedade para angariar fundos para a construção da nova Matriz. Cada um pagava mil réis por mês para a obra, que teve início em 17 de novembro de 1920.
No dia 1° de outubro de 1933, a obra da Igreja Matriz estava parada havia dois anos. Cerca de um ano depois, em 3 de setembro de 1934, as paredes da velha Matriz caíram. Nessa época, as missas da paróquia eram realizadas na capela de São Sebastião, devido aos problemas de estrutura da igreja.

Mas, segundo relatos, a capela era pequena e mal cabiam as crianças. Os homens e as mulheres ficavam do lado de fora, expostos ao sol e à chuva. Então, o bispo nomeou nova comissão, com supervisão do vigário Paulo de Tarso, para o término da obra.
Segundo documentos históricos levantados por Dora Maso, ele sempre dizia que seria erguido no local um templo magnífico, “sem dúvida, o maior e o mais belo de todo o Estado do Espírito Santo”.
A partir de 1939, foram feitos leilões para ajudar na obra. “Padre Henrique Zamperetti muito contribuiu para a construção dessa igreja, indo visitar as famílias a cavalo, pedindo doações, sacas de café para o término da obra”, contou Dora.

 

Projeto com luxo e  riqueza de detalhes

Com uma arquitetura no estilo eclético, a Igreja Matriz de Itarana chama a atenção pelos detalhes. O altar é feito em mármore Carrara, que veio da Itália, e tem adornos no estilo rococó, assim como as colunas, que lembram as de construções romanas.

O projetista Vitorio Stringari – que era técnico, professor de Artes e trabalhava na Escola Técnica do Espírito Santo e trabalhou também na construção da Igreja de São Sebastião, Praça Oito e Santo Antônio de Sossego – passava as férias, entre dezembro e fevereiro, na região, e ajudou na obra. Foi ele quem moldou em gesso as peças estilo rococó que adornam o templo.
As formas que ele preparou para moldar as peças ficaram por anos guardadas sob a escada da casa canônica. Elas foram encontradas somente em 2009.

Os anjos que seguram o candelabro de Nossa Senhora Auxiliadora foram feitos pelo professor Américo, da então Escola Técnica Federal do Espírito Santo. Ele os moldou tendo Olivia Cei de Araújo como modelo.

O quadro para colocar a planta da matriz foi feito por Pedro Sepulcri e a planta foi trazida pelo padre Frederico. A construção da arte dos arcos, colunas e outras partes da construção foram feitas por Quintino dos Santos, que fazia as peças nos moldes e depois adornava os arcos e colunas dentro e fora da igreja, no altar.

O piso da Igreja Matriz é conhecido como ladrilho hidráulico e é um tipo de revestimento artesanal feito à base de cimento, usado em pisos e paredes, que teve seu apogeu entre o fim do século XIX e meados do século XX.

Primeira a ser consagrada no Estado

A inauguração da Igreja Matriz Nossa Senhora Auxiliadora, em 15 de julho de 1951, em Itarana, foi um grande evento. O templo foi o primeiro a ser consagrado no Estado antes mesmo do Convento da Penha.

A sagração foi feita pelo bispo dom Luiz Scortegagna. Na época, o padre Henrique Zamperetti, que chegou em outubro de 1946, não mediu esforços com objetivo de angariar fundos para a conclusão da obra. A celebração foi acompanhada por pessoas de outros municípios, incluindo autoridades. A notícia sobre a festa foi publicada em jornais do Estado, como A Tribuna, e até da Itália, e chegou a ser filmada.

As ruas ficaram lotadas, pois na consagração os fiéis ficaram do lado de fora, enquanto os padres e bispos faziam a consagração e as autoridades acompanhavam. Segundo relatos, a solenidade durou cerca de seis horas.
Quem estava lá era a aposentada Alba Venturini, 89 anos. Ela era corista e cantou durante a celebração. Ela lembra que o grupo era formado por cerca de 15 pessoas, que acompanharam o evento. Em casa, guarda com carinho e cuidado recortes de jornal que relatam a consagração.

Em A Tribuna de 19 de julho de 1951, Osvaldo Zanello descreveu: “Oficiadas por Dom Luiz Scortegagna, com acompanhamento de cerca de dez sacerdotes, entre os quais se encontrava o ilustre diretor do Colégio Sacramentino Pio XI de Manhumirim, as solenidades duraram cerca de seis horas”.

A publicação descrevia a igreja: “Rendas e filigranas imortalizam um artista, cuja sintonia de cores reflete o bom gosto e o conhecimento do belo, cujo altar-mor, talhado de mármore Carrara, nos trouxe a contribuição dos artistas da lendária e amiga Itália, procuramos conhecer um pouco da história daquele templo que se consagrava com tanto esplendor e suntuosidade à Virgem Auxiliadora dos Aflitos”.

De acordo com o jornal, com divergências entre os políticos sobre emancipação, entraram num acordo em que Itaguaçu ficaria com a sede do município e Itarana com a sede da Paróquia.

Memórias bem guardadas

Aos 89 anos, Alba Venturini lembra bem da conquista que foi para Itarana a conclusão da obra da Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora. Ela era integrante do grupo de coristas e participou ativamente do evento de inauguração e consagração da igreja, em 1951.
“A construção da paróquia foi sempre muito difícil, tudo feito pela comunidade mesmo. Tinha muita festa para arrecadar dinheiro. O dia da consagração foi muito especial”, contou ela, que lembra o nome de cada um dos colegas de coro que participaram da missa.
Dona Alba guarda recortes antigos de jornal e um deles, de 1965, ressalta a comemoração dos 50 anos da paróquia. “Achei o jornal no lixo e guardei”, contou ela.

Em 1951, evento registrado em filme

A importância da construção da Igreja Matriz para Itarana foi tanta que a celebração para inauguração e consagração do templo foi registrada em filme, quando filmar um evento ainda era algo pouco comum e guardado apenas para ocasiões muito especiais.

Quem contratou a filmagem, em preto e branco e sem áudio, foi Elias Estevão Colnago. Um cinegrafista contratado foi de Vitória a Itarana para fazer o trabalho. Posteriormente, o filme foi dado a Florisval Vieira Malta, marido de Alba Venturini. Ela contou que ele tinha na época um cinema itinerante e recebeu as imagens em 16 milímetros.
As imagens, resgatadas recentemente e transformadas em DVD, mostram as ruas em torno da Matriz lotadas de fiéis e o bispo dom Luiz Scortegagna fazendo os ritos da consagração, com água benta.

Dona Alba Venturini, que era corista da igreja e cantou durante a celebração, lembra que a igreja estava vazia, sem os bancos. “Dentro dela estavam somente os padres, o bispo e as cantoras do coro, que eu fazia parte. O bispo ungiu as cruzes da parede, tudo foi ungido”, lembrou.

Confira o vídeo:

Curiosidades

O símbolo

Na fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora tem um pelicano. Na Europa medieval, considerava-se a ave um animal especialmente zeloso com seu filhote, ao ponto de, não havendo com que o alimentar, dar-lhe de seu próprio sangue. O pelicano tornou-se, então, um símbolo da Paixão de Cristo e da Eucaristia.

A imagem

A imagem de Nossa Senhora Auxiliadora é de madeira e foi esculpida na Escola Pavoniana de Escultura em Santo Antônio, em Vitória, a pedido do padre Henrique Zamperetti.
O escultor foi Tomaselli e o doador foi Salvador Fardin. A imagem mede 1,70m e tem o cetro solto com coroas fixas. Foi levada em procissão desde a Canônica até a Matriz.

O cruzeiro

O cruzeiro atrás da Igreja Matriz substituiu um mais antigo que ficava próximo à antiga igreja por estar corroído pelo tempo. Com mais de 50 anos, foi lavrado por João Alves e os detalhes foram feitos por Andréa Cei.
Luiz Galvagne, Wandir Follador e Herlio Sepulcri ajudaram a construí-lo.

Reforma em 1961

A primeira remodelação da Igreja Matriz começou em 14 de agosto de 1961. A torre estava cheia de cupim e o telhado dos vãos laterais precisava de conserto. Foi trocada a madeira da torre, que ganhou cimento e foi aumentada em 3 metros. O término das obras da Matriz aconteceu em 18 de agosto de 1962. Além de modificarem a torre, construíram um cômodo atrás da igreja para guardar madeira.

Matéria publicada na edição 14, mês agosto/2015, página 8 e 9 do Jornal Santa Notícia.

Por Wilson Coêlho, é “Commandeur Exquis” do Colégio de Patafísica de Paris

Para se entender as dimensões da cultura, tanto na sua perspectiva simbólica quanto na cidadã e econômica, faz-se necessário termos a consciência de que todos os seres humanos, independentemente da época ou do lugar onde vivem, possuem valores, concretos ou abstratos. Esses valores se manifestam a partir das crenças, dos costumes e de todas as formas com as quais os grupos sociais se comunicam ou se relacionam.

Nesse sentido, convém afirmar que todo ser humano tem cultura, considerando que a mesma é inseparável da própria condição humana que é a de viver em sociedade.
Viver em sociedade é fazer acordos e dar sentido ao mundo em prol da harmonia, para garantir a sobrevivência de uma coletividade. Assim, o mundo ou os mundos que existem são criações de significados do ser humano no que diz respeito a si mesmo, nas relações com o outro e com a natureza.

Se temos um inegável legado histórico que a cada dia se renova por intermédio das inúmeras manifestações culturais, o mais sensato é buscamos formas de fomentar e dar visibilidade a toda essa riqueza, bem como possibilitar a identificação e o conhecimento das distintas identidades culturais como legítimas representatividades da nossa diversidade.

Para melhor nos situarmos sobre a cultura capixaba, devemos ter um olhar atento sobre a formação da sociedade do Estado do Espírito Santo. Foram vários povos da Europa, como portugueses, alemães, italianos, pomeranos, suíços, franceses e austríacos, que se juntaram aos africanos, asiáticos e aos povos indígenas originários para a composição dessa rica diversidade étnico-cultural abrangente e que, até hoje, consegue manter suas tradições.

Se temos um inegável legado histórico que a cada dia se renova por intermédio das inúmeras manifestações culturais, o mais sensato é buscamos formas de fomentar e dar visibilidade a toda essa riqueza, bem como possibilitar a identificação e o conhecimento das distintas identidades culturais como legítimas representatividades da nossa diversidade.

Para além do privilégio de sua beleza natural como as montanhas, os rios e as cachoeiras, a história e a cultura da Região dos Imigrantes permanecem cada dia mais vivas a partir de seus habitantes que preservam e alimentam suas tradições, tanto nas comidas e trajes quanto nos costumes que, em um só movimento, beneficiam aos turistas e aos moradores.

Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 4 do Jornal Santa Notícia.

Por Chico Zanoni, é professor
Já passava das 17 horas. Dona Alice dizia: Cisquinho (apelido de mãe, não me envergonhava por isso, não era superlativo ou apenas diminutivo. Era só a forma carinhosa de chamar o caçula), vá no seu Virgílio pegar o leite!
Lá ia eu. Leiteira na mão. Era pertinho. Às vezes, o líquido branco chegava pela manhã. Lá ia eu. Só eu. Não era castigo, era a minha obrigação do dia.

Seu Virgílio era um senhor agradável, um pouco sovina, só um pouquinho, mas era. Nessas horas já existia uma pequena fila. Aguardava um pouco. Éramos só jovens, amigos de escola ou da rua. Obrigação dos temporãos.
Ele entregava leite na porta da frente, próximo à escada que dava acesso ao segundo andar, onde ele morava.
A medida dele era confiável, o leite também. Ao fervê-lo, a nata espessa se formava. Nata que Dona Alice recolhia para fazer biscoitos ou pasteizinhos recheados com goiabada.
Seu Orlando Zotelle também morou aí.

Podem querer ter amenizado as rugas e as linhas de expressão do velho casarão, mas, juro, gostava dele daquela forma: sóbrio, romântico e fornecedor de leite e de cimento.

Seu Orly Bassetti comandava, com punhos de ferro, a única casa de material de construção que por aqui existia. Vendia, desde tintas, até o menor parafuso. Era uma casa com escada íngreme, com varandinhas na frente. Bege ou marrom, não lembro direito. Tempos remotos? Nem tanto.
Refiro-me ao sobrado que tem criado polêmica aqui na Terrinha. Sei que está descaracterizado. A aparência não é mais a mesma. Talvez tenha passado por aplicações da tal toxina botulínica, mas a essência continua a mesma.
Podem querer ter amenizado as rugas e as linhas de expressão do velho casarão, mas, juro, gostava dele daquela forma: sóbrio, romântico e fornecedor de leite e de cimento.

Continuo gostando. É a minha história, é a história da Terrinha. Famílias amigas moraram ali. Há uma história ali. Vidas, amigos, saudades, infância. Seu Chico Miguel, Dona Alice, Donas Pinas (a Pretti e a Dalcolmo), Dona Cristina (mãe da Lucinete, da Popa, da Rita, da Cristina e de mais meia dúzia), Frei Angélico e o Estevão. Os Gasparini, os Biasutti, os Croce. Tantos outros. Éramos famílias unidas ao redor do casarão. O casarão do seu Virgílio Bassetti, o vendedor de leite.

Bom dia, Terrinha!
Bom dia, amigos!

Matéria publicada na edição 13, mês junho/2015, página 14 do Jornal Santa Notícia.

 

Em sua terceira obra sobre o tema, Sandra Gasparini traz relatos de famílias de Santa Teresa e cerca de 900 fotografias. O livro tem 484 páginas com relatos  históricos e poemas.

 

1002492_10200639164979093_8663051921679054620_nDisposta a resgatar parte da memória da colonização no Espírito Santo, a escritora Sandra Gasparini fez muitas pesquisas, percorreu propriedades, ouviu relatos de famílias e reuniu fotografias que recontam a chegada dos primeiros italianos ao Estado.Todo esse trabalho está distribuído nas 484 páginas do livro “Santa Teresa do Espírito Santo – História e Memória”, que ela lançou no dia 23 de junho, no Museu Mello Leitão, no município que dá título à publicação. Também houve um lançamento no dia 18 na Biblioteca Pública Estadual, em Vitória. O livro é o terceiro da autora sobre o tema e, somado aos dois primeiros – “Santa Teresa Viagem no Tempo – de 1873 a 2008” e “Santa Teresa Viagem no Tempo – de 1873 a 2009”, lançados em 2008 e 2009, respectivamente – revela 90% dessa história,  garante.“É um relato de como vieram essas famílias. Pesquisei documentos, ouvi muitas histórias no interior. Depois dos dois primeiros livros, aprofundei muito a pesquisa para chegar a este, que servirá para consultas de estudantes na universidade e ajudará na preservação dessa cultura”, ressaltou a escritora. Sandra acrescentou que a história é entremeada por 30 poemas relacionados à temática, além de ser bastante ilustrada. Para se ter  ideia, são cerca de 900 fotografias, entre imagens coloridas e em preto e branco, que ilustram a trajetória das famílias que construíram e povoaram Santa Teresa. A escritora é natural de Santa Teresa e contou que sempre foi apaixonada por pesquisar a história dos primeiros italianos que chegaram ao município. “Sempre fui curiosa e me interessei pelos relatos das pessoas. Ficava ouvindo e fui guardando essas memórias. No primeiro livro, comecei contando a história da minha família, e então decidi ampliar os estudos”, contou ela. Os dois primeiros livros, inclusive, renderam premiações à autora na Itália, devido à relevância de suas pesquisas. A nova publicação, por exemplo, traz uma relação de 50 páginas com nomes e sobrenomes de imigrantes italianos que desembarcaram no Espírito Santo.“Não são apenas nomes deles, mas também o navio em que chegaram, o mês, ano, idade dos imigrantes, de acordo com informações do Arquivo Público do Espírito Santo”, revelou.

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“Sempre fui curiosa e me interessei pelos relatos das pessoas.

Ficava ouvindo e fui guardando essas memórias”

Sandra Gasparini, escritora

As flores roxas, rosas e amarelas podem ser vistas em cidades como Santa Leopoldina, Santa Maria, Itarana, Santa Teresa e São Roque do Canaã

As ruas da Região Serrana do Espírito Santo estão cheias de árvores carregadas por uma flor roxinha, de tonalidade vibrante. São as quaresmeiras, que como o próprio nome já diz, florescem nessa época do ano, que é a quaresma – período entre o Carnaval e a Páscoa.

Típicas da Mata Atlântica, se adaptam tanto ao calor quanto ao clima mais fresquinho, e uma coisa é certa, sozinhas ou em grupos, elas se destacam entre as áreas verdes com suas tonalidades vivas, e são responsáveis por um belo visual.
“Elas já desabrocharam e podem ser vistas em Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Itarana, Santa Teresa e São Roque do Canaã, por exemplo, tanto nas margens das estradas e rodovias quanto nas cidades. Em algumas árvores, a quantidade de flores é tão grande que pode tomar toda a copa arredondada, que muitas vezes chega a quatro metros de diâmetro”, disse a bióloga Fernanda Lírio.

No Estado, além do roxo, o amarelo e o rosa fazem parte da diversidade de cores em que as flores aparecem. “As quaresmeiras crescem rapidamente, possuem um porte médio e raízes profundas. Elas ocorrem, principalmente, em formações secundárias, como capoeiras e capoeirões. E são raras no interior das matas densas, por serem plantas pioneiras (as primeiras que se formam). São encontradas no Espírito Santo, na Bahia, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, nas florestas pluviais da encosta atlântica”, explicou o engenheiro agrônomo Gerson Tavares da Motta.

Para a pedagoga Marisange Blank Zamprogno, poder apreciar uma paisagem com as quaresmeiras floridas é como ganhar um presente. “Em meio a todo o caos urbano e social em que vivemos, poder apreciar essa paisagem nos traz a sensação de que fomos presenteados pela natureza. Um misto de sentimentos de gratidão e tranquilidade. É bem como nos diz o filósofo Kant: o belo encanta, o sublime comove”.

Maria Helena Salviato Biasutti Pignaton também compartilha essa opinião: “gosto de subir a serra até a Terra dos Colibris. O verde das folhas mistura-se ao amarelo dos ipês e ao roxo das quaresmeiras e transmitem felicidade”.

Campanha
Entrando antecipadamente no clima da primavera, o Santa Notícia não poderia deixar de destacar o show das quaresmeiras. Para isso, o jornal realizou uma campanha, no Facebook, pedindo para que os leitores enviassem fotos da paisagem do Espírito Santo colorida pela floração dessas árvores.
O resultado não poderia ser outro: uma seleção de belas imagens que enfeitam esta edição.
Se você ainda não conferiu de perto, vale a pena visitar as montanhas capixabas nesta época do ano e curtir bastante esse espetáculo de cores.

Raio X
» Nome popular: Quaresmeira
» Gênero: Tibouchina
» Família: Melastomataceae
» Características: porte médio e raízes profundas
» Cores: roxo, amarelo e rosa

Matéria publicada na edição 11, mês abril, página 8 e 9 do Jornal Santa Notícia.

A novidade deste ano é que haverá show na Rua de Lazer, no sábado. Os ingressos vão custar a partir de R$ 20 e serão comercializados pela Blueticket

O que já era muito bom vai ficar ainda melhor este ano. Do que estamos falando? Da 4ª edição do Santa Teresa Jazz e Bossa. Sabe por quê? Agora, além dos shows no Parque de Exposições Frei Estevão Eugênio Corteletti, haverá programação de muita qualidade na Rua de Lazer e nos restaurantes parceiros do evento, com muito jazz, bossa nova e blues.

Serão três dias (29, 30 e 31 de maio) de muita música e o público vai poder mergulhar na cultura de Santa Teresa, por meio dos artesanatos, comida, arquitetura e atrativos da cidade.
Nesta entrevista, José Olavo Médici, da Rota Eventos, que é responsável pela organização do Festival, conta como será a próxima edição. Confira!

Santa Notícia ­– O Santa Teresa Jazz e Bossa terá tema específico?
José Olavo Médici – O Festival tem como foco a sustentabilidade. Este ano, vamos continuar desenvolvendo esse tema.

Qual será a estrutura do evento?
José Olavo: A base do evento será o Parque de Exposições Frei Estevão Eugênio Corteletti. Lá, teremos o palco principal, com iluminação cênica e megaestrutura. Na área coberta, serão 1.000 cadeiras de frente para o palco, além de 1.300 lugares na praça enogastronômica, que contará com seis restaurantes, uma Wine Store e uma choperia. Vamos dar destaque às cervejas artesanais do Espírito Santo. Teremos também estandes de artesanato e agroindústria. Quem comparecer vai desfrutar da mesma qualidade do último festival.

Tem alguma novidade para esta edição?
José Olavo: Para este ano, teremos uma mudança no sábado. Vamos levar o evento, durante o dia, para dentro da cidade, assumindo a programação da Rua de Lazer. Lá, nós vamos ter quatro shows, que vão começar ao meio-dia e prosseguem até as 17h30. Além disso, vamos criar uma programação dentro dos restaurantes parceiros do evento, com músicos tocando em horários determinados.

Quais serão as atrações locais?
José Olavo: Entre as atrações locais estão Finest Hour, Fábio Calazans, Blues Note, Bruno Mangueira, Fames Jazz Band e ainda mais duas a confirmar.

E as nacionais?
José Olavo: Os shows serão com Leila Pinheiro, Yamadu Costa, Artur Maia, Taryn Szpilman e Facção Caipira.

Das atrações internacionais, quais já estão confirmadas?
José Olavo: Mike Stern, Vasti Jackson, Phil DeGreg e The Jig.

Qual será o ponto alto do evento?
José Olavo: A gente deseja que cada momento seja especial. O sábado tem uma carga maior, porque há programação de dia e de noite, totalizando oito shows. Mas temos atrações nacionais e internacionais durante os três dias, e posso dizer que a programação está muito bem equilibrada.

E os ingressos, vão custar quanto e onde podem ser adquiridos?
José Olavo: Os ingressos têm valor definido de R$ 40 (inteira) e de R$ 20 (meia). Pagam meia entrada os estudantes e os maiores de 60 anos. Os ingressos serão vendidos pela Blueticket e vão poder ser adquiridos pela internet, nos postos de venda na Grande Vitória e na bilheteria do evento. Estamos estudando a disponibilização de pontos de venda em Santa Teresa.

Qual a expectativa de público?
José Olavo: A expectativa é de que 12 mil pessoas passem pelo evento. Nosso objetivo é manter o mesmo público do ano passado, que são pessoas que gostam de música instrumental e de bossa.

Qual a importância do Santa Teresa Jazz e Bossa para o Estado?
José Olavo: O Festival vem cumprindo a sua missão de ser uma ferramenta importante para o desenvolvimento sustentável do turismo do Espírito Santo.

Para garantir a segurança, qual é a estrutura?
José Olavo: Um dado interessante sobre o Santa Teresa Jazz e Bossa é que nas últimas edições não houve registro de ocorrência policial na cidade. Além da segurança pessoal, trabalhamos com equipamentos de qualidade para assegurar a integridade física de quem participa do evento, cumprindo todas as exigência legais na montagem da estrutura, disponibilizando ambulância, extintor de incêndio e tudo o que é necessário para se ter um evento 100% seguro, minimizando as chances de imprevistos.

O que o público pode esperar?
José Olavo: Um evento com o mesmo nível dos outros anos. Um Festival com segurança, qualidade dos serviços, respeito ao público com as atrações sendo realizadas dentro do horário previsto e uma programação cuidadosamente escolhida.